Amigos,
Estamos migrando para um novo endereço, por favor nos procurem por lá…
www.cinemadeprimeira.com.br

Neste novo endereço na web estaremos melhorando o nosso trabalho!
Prestigiem!
Abraço.
João Luís
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No ano de 2008, como noticiado através da web, de rádios e reportagens publicadas em jornais, realizamos o lançamento da obra “Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema” (Editora Intersubjetiva – www.intersubjetiva.com.br).
Na ocasião do lançamento reunimos um grupo de aproximadamente 40 pessoas, entre as quais muitos amigos, parentes, ex-alunos e educadores interessados no tema. Durante aproximadamente 2 horas expusemos, em linhas gerais, como se configurou a experiência que resultou no livro, fruto de duas grandes paixões, a educação e o cinema.
Inauguramos o belo espaço criado para abrigar palestras e eventos, o auditório do Fisk de Caçapava, cidade onde realizamos o lançamento já que o autor é natural da Cidade Simpatia (apelido carinhoso do município, também conhecido como Taiada) – onde morava e trabalhava.
Apresentamos trechos de filmes, intercalados com reflexões do autor do livro e abrimos espaço para que pensamentos de outros autores pudessem esclarecer um pouco mais sobre a Sétima Arte e a relação da mesma com educação.
Ao final, espaço aberto para questionamentos, escutamos um depoimento bastante esclarecedor, terno e emocionante sobre como era freqüentar cinemas entre os anos 1930 e 1950. O professor Damas, membro da academia caçapavense de letras, autor de vários textos para os jornais locais e que está preparando um livro sobre Caçapava nos contou que para ir ao cinema era muito mais difícil…
O dinheiro era curto… E para conseguir pagar a entrada as crianças faziam pequenos bicos para arrecadar alguns contos de réis. Uma dessas atividades era fazer feixes de cascas de madeiras embarcadas na estação ferroviária que corta Caçapava e vender nas casas para que as pessoas pudessem acender seus fogões a lenha. Nessa época, em virtude da guerra (1939-1945), o envio de madeira para a Europa era regular e, essas cascas ficavam de lado, desperdiçadas… Por isso os meninos logo aprenderam que aquilo poderia significar o tão sonhado ingresso para as sessões de cinema…
Cada feixe vendido rendia 100 contos de réis e, assim que conseguiam acumular algumas moedinhas (aproximadamente 500 ou 600 contos de réis), tinham a verba suficiente para ir ao cinema. Mas isso não era suficiente, necessitavam da companhia de um adulto que os levasse a sala de projeção para que pudessem nela ingressar…
E, mais interessante ainda, com essas moedinhas não conseguiam cadeiras… Nem mesmo espaço na “geral”… Esse dinheiro era suficiente apenas para que se instalassem atrás da tela e que, de lá, pudessem embarcar nos sonhos da Sétima Arte…
É o nosso “Cinema Paradiso”, não é? Num tempo como o que estamos vivendo, em que as pessoas tem tantas facilidades para assistir filmes, é um relato para lá de emocionante, não acham?
Por João Luís Almeida Machado
Em entrevista a um jornal português, em virtude do lançamento de seu filme “Palermo Shooting”, o premiado e celebrado cineasta alemão Wim Wenders destacou que, para ampliar a visão dos alunos e sua capacidade de apreensão e entendimento das diferentes escolas cinematográficas, em especial a européia, é preciso “que logo nas escolas, se ensine as crianças a ver cinema e a saber como se fazem filmes”. Penso que este trabalho deve ser feito desde a infãncia, certamente, mas que é igualmente imperativo que tal ação prossiga em etapas posteriores da vida, como a adolescência e a juventude, por exemplo, para fixar conceitos, dar mais clareza e compreensão, aumentar a dimensão estética percebida nos filmes e, é claro, permitir que as pessoas aprendam ao mesmo tempo em que se divertem com a Sétima Arte. O diretor foi além e complementou seu pensamento acerca da importância do Cinema na Escola dizendo que “vivemos num mundo regido por imagens, há que ensinar as pessoas a distinguir o trigo do joio”. Tais afirmações são procedentes, em especial para que a diversidade cultural propagada pelas diferentes escolas cinematográficas existentes no mundo encontrem penetração e possibilidade de se tornarem recursos culturais acessíveis a todos, evitando o monopólio norte-americano. Além disso, ao afirmar que o mundo de hoje é regido por imagens, Wenders atesta a importância de aprendermos a “ler” tais recursos e, ao mesmo tempo, nos alerta quanto a necessidade de trabalharmos mais arduamente também a produção escrita e a leitura de textos, ainda que emparceirada com recursos visuais, como os filmes.
Por João Luís de Almeida Machado
Charles Chaplin é considerado por muitos como o maior gênio da sétima arte. Mesmo tendo vivido no início do século XX e produzido a maioria dos seus filmes até 1950, o criador de Carlitos continua sendo comentado, reprisado e endeusado por um enorme número de fiéis seguidores. Não é para menos, suas obras (como “Tempos Modernos”, “Em busca do Ouro”, “O Garoto”, “O Circo”, “Luzes da Cidade” e “O Grande Ditador”) não perderam seu valor com o passar do tempo, continuam encantando platéias dos quatro cantos do mundo e, acima de tudo, mostraram-se tão grandiosas que suas tramas não se inscreveram apenas como registros do período em que foram feitos os filmes, ultrapassaram essa barreira.
Lembrem-se do filme “Tempos Modernos” (já comentado nas colunas de Cinema e Educação) e vejam como Chaplin, em sua crítica a sociedade contemporânea, de bases industriais já não estava, com suas gags e paródias antevendo o stress, as correrias típicas de nosso cotidiano, os sistemas de trabalho onde os homens são apenas engrenagens adicionais ao trabalho das máquinas!
Em “O Grande Ditador”, Chaplin antecipou o fenômeno Hitler na Alemanha, através de uma contundente sátira ao nazi-fascismo e um surpreendente clamor pela paz. Não compreendido pelos americanos acabou tendo que se retirar do país e se estabeleceu na Suíça. Uma grande perda pois, na Europa, tolhido dos meios e dos recursos necessários para seu trabalho e um tanto quanto descrente na indústria e no mundo, sua produção declinou e rareou.
Por João Luís de Almeida Machado
Vencedor de 3 Oscars (Melhor Filme, Diretor e Roteiro), o clássico filme conquista os espectadores em função das interpretações marcantes de Bogart, como o cínico Richard Blane, dono de um bar em Casablanca, onde circulam pessoas de diversas nacionalidades em fuga para a América. A região marroquina, controlada pela França, vive uma situação totalmente inusitada, pois os alemães a essa altura dos acontecimentos controlam aproximadamente 70% da França e, teoricamente, mandam também nas colônias dessa nação…
Apesar disso, na prática, os governantes em Casablanca continuam sendo os franceses. Isto é, procurando sempre mostrar solicitude para com os oficiais nazistas alemães que por ali circulam (ao mesmo tempo em que procuram sabotá-los agindo com lentidão). Esse é o caso do chefe de polícia Louis Renault (Claude Rains, em interpretação marcante), que tenta a todo custo agradar o comandante alemão Heinrich Strasser (Conrad Veidt).
Para cair nas graças do alemão, Renault se propõe a prender o ladrão e assassino que matou dois nazistas e se apoderou de documentos que facilitariam a saída de qualquer pessoa estacionada em Casablanca (Era difícil e caríssimo conseguir vistos de saída para Lisboa e, depois, embarcar para a América).
Esse acontecimento coincide com a chegada a Casablanca de um dos principais líderes da resistência ao avanço nazista na Europa, Victor Laszlo (Paul Heinred) e de sua esposa Ilsa Lund (Ingrid Bergman, no esplendor de sua beleza). Para saírem do norte da África, os Laszlo dependem dos salvo-condutos roubados. Por obra do acaso esses documentos acabam nas mãos de Rick (Bogart).
Descobre-se então que o cinismo e o amargor de Rick derivam de um romance que teve um desfecho confuso e infeliz… com Ilsa Lund. Crueldade do destino, o futuro dos Laszlo estava nas mãos de Richard Blane, infeliz amante abandonado por Ilsa Lund…
Speed Racer me surpreendeu. Não esperava que o filme fosse me agradar. As críticas não foram muito positivas, e não me refiro aqui aos profissionais que cobrem cinema e que invariavelmente rejeitam o cinemão, os filmes do circuito comercial. Amigos que haviam assistido a nova produção dos Irmãos Wachowski disseram para mim que o filme era um pouco confuso, muito carregado nos efeitos especiais e que tinha uma história fraca. O que vi contrariou esta primeira impressão que me foi dada. Reconheço que há uma profusão de cores e efeitos digitais [praticamente todo o filme], quase que como a nos fazer entrar numa onda psicodélica. O ritmo é alucinante, do começo ao fim e, sendo o personagem quem é, não creio que deveria ter sido diferente. Acompanho Speed Racer desde minha infância e, não há como negar, foi um de meus desenhos animados preferidos. Como estamos vivendo a era digital, as corridas do filme parecem autoramas modernizados transportados do real para o virtual e, admitamos, ficaram realmente velocíssimas… Adrenalina pura! Além disso, os Wachowski são fãs das histórias em quadrinhos e criaram um filme que tem toda a estética dessa arte tão autêntica e contemporânea. Artistas de primeira qualidade como John Goodman, Susan Sarandon, Matthew Fox [o Jack, da série Lost], Christina Ricci e o talentoso Emile Hirsch no papel principal garantem também um resultado para lá de compensador. Se não bastasse isto, há também comédia com o irmão mais novo de Speedy, Gorducho [Paulie Litti] e o macaco que o acompanha e faz parte da família [como no desenho]. Agora, o mais enriquecedor desse filme “comercial” é que há mensagens bastante claras e importantíssimas, entre as quais poderia destacar a questão da importância da família, das raízes, das bases de apoio para cada um de nós e, ao lado disso, a necessidade de não nos vendermos, de não sacrificarmos nossos sonhos, ideais e valores por dinheiro, sucumbindo ao capitalismo. Alguns podem argumentar que isso é contraditório, tendo em vista que os irmãos Wachowski produzem seus filmes para uma major como a Warner, mas penso que se utilizam seu talento para levar adiante mensagens de valor como as mencionadas, utilizando o grande capital, estão fazendo bom uso destes dólares quando trazem ao público obras como Speed Racer. Vale a pena conferir! Pipoca garantida! Diversão de primeira!
Por João Luís de Almeida Machado
Livros de sucesso adaptados para o cinema normalmente têm boa procura de público. Os leitores querem ver nas telas como seriam os personagens, as locações, os figurinos, a trama adaptada e tudo o mais relativo ao best-seller que os conquistou. Não são poucas as vezes em que a decepção é grande. Na realidade, raros são os filmes que ganham por parte do público formado por leitores a aprovação desejada.
Exemplo recente de como essa transposição pode ser desastrosa é “O Código Da Vinci”. Com aquela temática, tinha tudo para ser um grande filme, mas a transposição para as telas foi apressada, querendo pegar carona nas vendas em alta nas livrarias do mundo todo. Nem mesmo a escolha do astro Tom Hanks para o papel principal foi bem recebida pelos fãs da obra.
“O Caçador de Pipas” corria o mesmo risco. Estourou em vendas no mundo inteiro, de forma surpreendente para inúmeros analistas por contar uma história que concentra a maior parte de seus acontecimentos no Afeganistão, país pobre do mundo oriental, predominantemente árabe e desconhecido desse outro lado do planeta.
O sucesso do livro, no entanto, ocorreu por conta dos valores e temáticas universais percebidos em suas belas páginas. Ao trabalhar de forma inteligente, nada piegas ou sentimentalista, o sentimento de amizade que une dois garotos de diferentes etnias (trabalhando também, portanto, a questão da tolerância, da compreensão, do respeito as diferenças), a questão dos valores éticos e resgatando os valores relativos a vida em família, a obra tornou-se mundial e não apenas mais um conto exótico das mil e uma noites aos olhos dos ocidentais.
Ao levar para as telas, a preocupação em ocupar as telas com atores e atrizes com traços nitidamente orientais/árabes/mulçumanos, os produtores fizeram a opção correta. Nada de grandes nomes no elenco, em compensação, a história acabou ficando mais fidedigna para quem conhecia o livro.
Pessoalmente creio que não há como comparar a riqueza da obra literária com a produção cinematográfica, pelo menos nesse caso. O filme é uma boa tentativa de reproduzir as letras do autor Khaled Housseini, mas fica muito distante da riqueza de detalhes da rica narrativa do autor. As atuações são boas, as locações até nos remetem a esse país tão pouco conhecido… Mas o engendramento da trama, reduzido para os padrões convencionais de Hollywood (aproximadamente 2 horas de duração), acaba tirando do filme a riqueza que o livro apresenta.
É um agradável programa de sábado ou domingo à tarde, mas não penso em “O Caçador de Pipas” como uma produção inesquecível, como Cinema de Primeira…
“Juno”, direção do diretor Jason Reitman é um filme surpreendente. E a afirmação que faço refere-se a praticamente todos os seus quesitos. A começar pela temática, bastante difícil, a sexualidade adolescente, aflorando a flor da pele pela explosão dos hormônios que ocorre entre os 13 e os 17 anos. Se não bastasse isso, há também a questão da gravidez na adolescência, abertamente trabalhada, mostrando bem como é a cabeça de uma garota de 16 anos que espera um bebê sem ter nenhuma vontade de ser mãe… Temas tabus, trabalhados de forma pouco convencional, com diálogos francos e abertos, a partir do ponto de vista das garotas, sem apelar para o humor grosseiro ou para a estupidificação.
O elenco então, merece palmas, da protagonista Ellen Page, que já havia mostrado talento no suspense “MeninaMá.com”, como a independente garota Juno, descolada, antenada em rock dos anos 1970 e 1980, fã de filmes de terror de Dario Argento e, como toda adolescente, dona da razão; passando pela bela Jennifer Garner (filha do experiente James Garner, que em uma de suas últimas aparições de destaque no cinema contracenou com Mel Gibson e Jodie Foster no divertido faroeste “Maverick”) – aparentemente bem casada e que tem dificuldades para engravidar; por Michael Cera, como o adolescente meio nerd, bom na escola, nos esportes, na guitarra e que se envolve intimamente com Juno de forma mais do que casual (apesar da evidente paixão que nutre pela garota); passando ainda pelos pais de Juno ou pelo indeciso Mark (protagonizado por Jason Bateman), o marido quase perfeito da personagem de Jeniffer Garner…
Filme de baixo orçamento (7,5 milhões de dólares, uma bagatela para os padrões do cinemão norte-americano), com roteiro pra lá de inteligente, interpretações de primeira, tema diferenciado (para dizer o mínimo), “Juno” é uma experiência cinematográfica inovadora por nos fazer acreditar que aquilo que vemos realmente está acontecendo e não que esses personagens ou a história sejam inverossímeis… Parece alguma coisa que pode acontecer na vida de qualquer um dos espectadores, na casa do vizinho, na vizinhança ou com alguém da família. É ver para crer! Um filmão!
A sabedoria dos mestres orientais é reconhecida mundialmente. Sua paciência e persistência são igualmente notáveis marcos de uma cultura milenar. Tudo o que se refere às tradições daquele país, da saborosa gastronomia as artes marciais, consegue sempre despertar a curiosidade, o respeito e a admiração dos ocidentais. E o cinema é prova disso tudo.
O lançamento mundial de Kung-Fu Panda, aguardado com ansiedade pelos fãs de animação do mundo todo, que ao longo do último ano tiveram a oportunidade de assistir a inúmeros trailers dessa produção, somente atesta todas as afirmações anteriores. E não ficaram decepcionados aqueles que esperaram, esperaram e esperaram (talvez numa provação proposital criada pelos responsáveis pelo filme, num ensejo de fazer com que os espectadores aprendessem um pouco da tal paciência oriental dos chineses). Kung-Fu Panda nasce e já entra para o panteão das grandes animações de todos os tempos.
Tem personagens que certamente serão lembrados para sempre, tanto pelas crianças quanto pelos adultos. A começar pelo panda Po, hilário do primeiro ao último minuto do filme, um herói que não se sente melhor do que ninguém e que carrega inúmeras dúvidas sobre a sua escolha para ser o maior entre os maiores no Kung-Fu… Sua maior qualidade é saber rir de si mesmo e pensar que a vida não deve ser levada tão a sério. Além dele, há os lendários aprendizes de Kung-Fu, virtuosos até o último fio de cabelo, mas que se mostram falíveis não por serem derrotados pelo vilão-mor, e sim por não aceitarem o fato de que as aparências enganam…
O mestre treinador de grandes lutadores, Shifu) também é uma amostragem tanto das grandes qualidades dos chineses e de sua cultura quanto das fraquezas que todos os seres humanos – representados nas telas por esses incríveis personagens – apresentam… Ao duvidar do potencial do panda e tentar fazê-lo desistir de sua jornada rumo ao domínio das artes marciais, o mestre mostra-se incapaz de superar o olhar reduzido e egoísta que caracteriza tantas e tantas pessoas… O bom é que com o passar da trama ele percebe seu erro, se desculpa pelo mesmo e busca redimir-se…
O grande sábio representado pela tartaruga é, no entanto, a luz que a todos orienta e dá oportunidades. Seus dizeres, simples e pautados em exemplos do cotidiano, nos fazem voltar no tempo e buscar as figuras de Buda e Confúcio, ou de forma mais atualizada, do Dalai Lama.
A despeito das lições, que o olhar do educador sempre procura, Kung-Fu Panda é diversão de primeira. A trama é bem costurada, os efeitos visuais (inclusive o estilo que nos transporta para uma atmosfera muito chinesa), os diálogos, a ação e, em especial, o humor, são nota 10!
Se Wall-e é lírico, poético, romântico, reflexivo e engraçado em alguns momentos, Kung-Fu Panda é irônico, divertido, inteligente e hilário… Se pudesse comparar, diria que Wall-e é como Chaplin e o Panda remonta aos Irmãos Marx… Ambos deliciosos e imperdíveis, cada qual na sua…
Obs. Na versão original em inglês a dublagem dos personagens ficou a cargo de feras como Jack Black (Panda), Dustin Hoffman (Shifu), Angelina Jolie (Tigresa), Jackie Chan (Macaco) e Lucy Liu (Víbora); No filme dublado o Panda tem a voz divertidíssima do talentoso Lúcio Mauro Filho e a Tigresa é dublada pela bela Juliana Paes.
Por João Luís de Almeida Machado
Um libelo pela preservação do planeta. Um romance belíssimo e totalmente diferenciado. Um filme de ficção em que os personagens principais não falam sequer uma palavra. Uma animação destinada a entrar no rol das mais impressionantes e fascinantes já realizadas em todos os tempos. Assim é “Wall-e”, o mais recente lançamento da parceria entre a Disney e a Pixar.
Wall-e é o nome de um robozinho criado para juntar os detritos da humanidade e compactá-los para que depois possam ser empilhados e acumulados em depósitos. O objetivo é sanear o planeta… Se é que isso é possível tendo em vista o alucinante ritmo de consumo dos habitantes da Terra desde a Revolução Industrial, cada vez mais avassalador e crescente… Quando o filme se inicia, à distância vemos uma grande cidade, com edifícios enormes e, na medida em que a câmera se aproxima, percebemos que esses prédios são pilhas e pilhas de resíduos acumulados há anos pelos vários Wall-es colocados na Terra…
De todos aqueles Robôs, apenas um continua ativo. E sua única companhia é uma esperta é ágil baratinha, sobrevivente do desastre ambiental que não permitiu que nada mais que fosse orgânico pudesse resistir. Em suas andanças e limpezas do planeta, Wall-e descobre uma plantinha preservada dentro de um refrigerador, a esperança de que a vida retorne…
Mas é a chegada de Eva, um outro robô, enviado a Terra pelos sobreviventes que estão há séculos instalados (e plenamente acomodados) numa nave a perambular pelo universo, como se estivessem num grande cruzeiro (só que espacial e não marítimo), em busca de sinais de vida em nosso planeta dá o tom de romance, humor e graça nesse filme memorável.
Para crianças e adultos que ainda acreditam na vida, “Wall-e” é programa obrigatório. Imperdível. Cinema de Primeiríssima!
Por João Luís de Almeida Machado