Em entrevista a um jornal português, em virtude do lançamento de seu filme “Palermo Shooting”, o premiado e celebrado cineasta alemão Wim Wenders destacou que, para ampliar a visão dos alunos e sua capacidade de apreensão e entendimento das diferentes escolas cinematográficas, em especial a européia, é preciso “que logo nas escolas, se ensine as crianças a ver cinema e a saber como se fazem filmes”. Penso que este trabalho deve ser feito desde a infãncia, certamente, mas que é igualmente imperativo que tal ação prossiga em etapas posteriores da vida, como a adolescência e a juventude, por exemplo, para fixar conceitos, dar mais clareza e compreensão, aumentar a dimensão estética percebida nos filmes e, é claro, permitir que as pessoas aprendam ao mesmo tempo em que se divertem com a Sétima Arte. O diretor foi além e complementou seu pensamento acerca da importância do Cinema na Escola dizendo que “vivemos num mundo regido por imagens, há que ensinar as pessoas a distinguir o trigo do joio”. Tais afirmações são procedentes, em especial para que a diversidade cultural propagada pelas diferentes escolas cinematográficas existentes no mundo encontrem penetração e possibilidade de se tornarem recursos culturais acessíveis a todos, evitando o monopólio norte-americano. Além disso, ao afirmar que o mundo de hoje é regido por imagens, Wenders atesta a importância de aprendermos a “ler” tais recursos e, ao mesmo tempo, nos alerta quanto a necessidade de trabalharmos mais arduamente também a produção escrita e a leitura de textos, ainda que emparceirada com recursos visuais, como os filmes.
Por João Luís de Almeida Machado
