
Stuart Jones Angel (Daniel de Oliveira) participa de passeatas, enfrenta os policiais e soldados da ditadura nas ruas e está envolvido com um grupo de guerrilheiros que quer derrubar a ditadura militar brasileira estabelecida a partir de 1964. Para que seu engajamento com a causa seja ainda maior, sua namorada (e depois esposa), Sônia (Leandra Leal), também é uma entusiasta do movimento e participa ativamente de todos os conflitos e planos do grupo “terrorista” (de acordo com o governo da época) de Stuart, o MR-8.
A mãe de Stuart, por outro lado, é destaque das colunas sociais do Rio de Janeiro e ganha a cada novo dia mais fama e sucesso a nível nacional e internacional em virtude de seu inovador trabalho como estilista. Zuzu Angel tem uma vida intensa, com a agenda lotada de compromissos, dentro e fora do país, através do qual consolida o seu trabalho e arregimenta novos fãs e clientes para os seus vestidos, saias, camisas e demais vestimentas com temáticas bem brasileiras.
Os universos distintos em que vivem mãe e filho praticamente nunca se cruzam. A ausência do jovem por longos períodos e algumas esporádicas visitas realizadas por Stuart para rever a mãe e as irmãs, sempre parecendo preocupado e tenso em relação a sua presença num lugar público demais, são apenas indícios de que alguma coisa não está certa na vida de seu filho, pensa Zuzu.
O ponto de convergência entre os mundos paralelos de Zuzu e Stuart acontece quando o jovem desaparece e, através de um telefonema anônimo, a mãe é informada de seu paradeiro e do provável local de seu cativeiro. É apenas o início de uma jornada de muitos destinos e diversos interlocutores que se inicia na vida de Zuzu Angel. Indo de um quartel a outro, conversando com generais, almirantes ou brigadeiros, apelando para amigos políticos ou indo aos tribunais em busca de seu filho, a vida da estilista sofre uma mudança considerável…
E não é apenas o seu cotidiano que muda, tornando-se sombrio, tenso, sempre prestes a explodir… A concepção de mundo e a visão que Zuzu tinha em relação ao Brasil modificam-se de forma considerável, com o progressivo abandono da crença no sonho brasileiro e a superação da alienação em que vivia, típica do mundo das passarelas e das celebridades das colunas sociais…
Surge então uma nova mulher, endurecida pelos fatos, mas ainda forte para lutar por seu filho… Com atuações destacadas de Patrícia Pillar como Zuzu Angel, Daniel de Oliveira no papel de Stuart Angel e contando ainda com elenco de apoio de grande talento, “Zuzu Angel” é mais um filme de destaque da nova fase do cinema nacional. Assistam!
Ficha Técnica
Zuzu Angel
País/Ano de produção: Brasil, 2006
Duração/Gênero: 110 min., Drama
Direção de Sérgio Rezende
Roteiro de Marcos Bernstein e Sérgio Rezende
Elenco: Patrícia Pillar, Daniel de Oliveira, Leandra Leal, Luana Piovani, Alexandre Borges, Ângela Vieira, Ângela Leal, Paulo Betti, Nelson Dantas, Regiane Alves.
Leia mais no link http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=760

2 Comentários
Outubro 20, 2007 às 1:25 pm
A ditadura vez com que pessoas que lutavam por liberdade de expressão fossem punidas de forma brutal,que muitos não resistiam.
O filme Zuzu Angel mostra essa realidade vergonhosa,que infelismente foi ou ainda é real em nosso país, digo isso por que hoje existem meios para fazer com que uma pessoa que fale de mais se cale.
Essa é a realidade o filme é maravilhoso é chocante,os atores são dignos do papel que receberam.
Março 24, 2008 às 5:15 am
Graças a produções como o filme Zuzu Angel, muitos jovens estão ou ficarão ávidos por conhecer um pouco mais de nosso passado. Talvez soe piegas, mas sinto imensa esperança quando surge uma produção nacional que retrata a nossa história.
Não são poucos os comentários negativos sobre o filme, postados por “peritos” em dramaturgia. Rotulam o filme de novelão mexicano, criticam o roteiro, o enredo, a direção, os atores, a trilha sonora, a iluminação, a fotografia…
Faço questão de salientar que não entendo “bulhufas” da arte de se produzir um longa-metragem, falo como mera expectadora e, principalmente, como brasileira. Não ligo a mínima se o filme é apenas comercial, se o estilo é novelesco, se os atores são canastrões, etc, etc, etc… deixo para os especialistas a análise da produção. Esperei muito por este filme porque conta a nossa história e, principalmente, porque muitos brasileiros nunca tinham ouvido falar de Zuzu Angel e, bem ou mal, agora conhecem sua trajetória. Só por isso já vale nota máxima.
A propósito, vale salientar que o brasileiro tem mania de idolatrar os heróis dos outros e ignorar os nossos. Não estou, de forma alguma, diminuindo os créditos de quem quer que seja – a história é universal. O que observo é que muitos idolatram alguns heróis cuja trajetória sequer conhecem, apenas porque é bacana idolatrá-los [status]. Querem um exemplo? Há uma figura histórica cujo rosto aparece estampado em camisetas, bandeiras, chaveiros e, principalmente, aqui na net. Mas arrisquem perguntar algo sobre sua vida, ou seus feitos: a resposta geralmente surpreende (negativamente) pela ausência de conhecimento.
Agora pergunto: já viram alguém por aí com o rosto do Vladimir Herzog, por exemplo, estampado no peito? Garanto que nunca viram. Aliás, garanto que muitos sequer ouviram falar dele.
Uma das cenas do filme Zuzu Angel não me sai da cabeça: Zuzu, na janela, chama a atenção dos que passam na rua dizendo que estes não sabem e não se preocupam em saber o que acontece no país (isso há trinta anos). Será que todos que assistiram o filme entenderam o recado?